A Conta Sempre Chega: O Custo da Mentira

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Costumamos dizer “meu avô dizia” ou “minha avó dizia”. Essas expressões carregam uma credibilidade natural, porque associamos a sabedoria à experiência de vida. Meu sogro, um homem muito sábio, repetia: “o mentiroso precisa ter boa memória”. A frase revela uma lógica simples. Para sustentar uma mentira, outras acabam sendo criadas. Em algum momento a memória falha, as versões se confundem e tudo começa a ruir.
Não por acaso, a primeira mentira registrada na tradição humana aparece na Bíblia, em Gênesis 3. Ao distorcer a verdade, a serpente convence Eva de que comer do fruto não traria consequências. O resultado não foi liberdade, mas ruptura. Desde então, a história humana mostra que quando a verdade é manipulada, as relações se fragilizam.
Nas organizações acontece o mesmo. Informações distorcidas geram decisões equivocadas, promessas não cumpridas alimentam conflitos e equipes desconfiadas deixam de colaborar plenamente. A confiança, um dos maiores ativos de qualquer empresa, começa a se dissolver.
Muitas vezes as pessoas mentem por medo, insegurança ou tentativa de preservar a própria imagem. Dizer a verdade pode parecer difícil no primeiro momento. Mas a verdade tem uma força que a mentira jamais terá: ela se sustenta sozinha.
Ambientes onde a verdade é valorizada tornam-se mais seguros, respeitosos e colaborativos. A transparência fortalece relações, permite decisões mais responsáveis e constrói confiança duradoura.
Falar a verdade nem sempre evita consequências difíceis, mas sempre preserva algo essencial: a integridade das relações. E é justamente sobre essa base que se constroem organizações sólidas e vidas mais tranquilas.
Suely Buriasco
Mediadora Corporativa e Escritora
