O impacto emocional da volta à rotina

Mentora, Master Coach e Mediadora de Conflitos
Sentir dificuldade para retomar não é fracasso, é sinal. Sinal de exaustão acumulada, de expectativas altas demais, de demandas que talvez precisem ser revistas. O problema não está em sentir, está em ignorar o que esse sentimento quer nos dizer. A cultura da performance costuma vender a ideia de que o ano começa com força total. Mas a vida real não funciona em botão de liga e desliga. Para quem retorna ao trabalho, aos estudos ou às responsabilidades familiares com o coração ainda desalinhado, a cobrança apenas aumenta o peso da caminhada.
Recomeçar, nesses casos, não significa acelerar. Significa reduzir o ruído. Olhar com honestidade para a própria rotina, renegociar prazos internos, ajustar metas e, principalmente, respeitar limites. Isso também é maturidade emocional e gestão inteligente da vida. Há quem volte sentindo saudade do tempo livre, quem retorne carregando conflitos não resolvidos, quem enfrente o ano com medo, insegurança ou desânimo. Tudo isso existe e merece espaço. Não para paralisar, mas para orientar escolhas mais conscientes. A retomada pode, e deve, ser gradual. Um passo por vez, um dia por vez. Pequenas ações consistentes constroem mais do que grandes metas impostas sem fôlego. Quando o recomeço é tratado com cuidado, ele deixa de ser um peso e passa a ser um processo.
Que este período seja um convite à gentileza consigo mesmo. Porque seguir em frente não exige dureza, exige clareza. E recomeçar, mesmo quando dói, continua sendo uma possibilidade poderosa de transformação.
Suely Buriasco
Mediadora de Conflitos e Escritora
www.suelyburiasco.com.br
